{"id":120,"date":"2009-10-18T22:55:02","date_gmt":"2009-10-18T22:55:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rcn.ciberserver.com\/?p=120"},"modified":"2015-10-19T06:08:23","modified_gmt":"2015-10-19T06:08:23","slug":"arte-e-patrimonio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/arte-e-patrimonio\/","title":{"rendered":"Arte e patrim\u00f3nio"},"content":{"rendered":"<p><strong>3 escritas da hist\u00f3ria em directo<\/strong><\/p>\n<p>Quando nos referimos a patrim\u00f3nio referimo-nos a um conjunto de monumentos, documentos, objectos, factos que s\u00e3o aceites por um conjunto de pessoas como fazendo parte da hist\u00f3ria desse mesmo grupo. E que nesse sentido deve ser preservado.<br \/>\nA arte contempor\u00e2nea \u00e9 de uma ordem diferente, \u00e9 como que um registo da ordem da historiografia. Quando estamos perante uma obra de arte contempor\u00e2nea colocamos frequentemente a quest\u00e3o: Estaremos perante uma escrita da hist\u00f3ria?<br \/>\nDo ponto de vista do mercado art\u00edstico esta quest\u00e3o \u00e9 crucial. Como se sabe, o melhor investimento poss\u00edvel para o coleccionador de arte \u00e9 a arte contempor\u00e2nea, uma vez que o agente pode comprar a pre\u00e7o baixo um artista emergente para depois o vender ao pre\u00e7o muito alto, quando e se este se tornar conhecido.<br \/>\nA capacidade de descobrir quem fica para a hist\u00f3ria \u00e9 desta forma o conhecimento que gera as melhores mais-valias e lucros. A quest\u00e3o da descoberta e do (re)conhecimento \u00e9 claro entendida em sentido lato, sem ingenuidades e na sua complexidade, uma vez que muitas vezes s\u00e3o os pr\u00f3prios coleccionadores que impulsionam a subida do valor no mercado, pelo simples facto da compra, por serem <i>opinion-makers<\/i>, por terem influ\u00eancia sobre <i>decision-makers<\/i>, etc, etc.<br \/>\nTodavia n\u00e3o se quer com isto dizer que a pertin\u00eancia hist\u00f3rica da obra de arte contempor\u00e2nea seja uma preocupa\u00e7\u00e3o ou a motiva\u00e7\u00e3o da maioria dos artistas pl\u00e1sticos. Pelo contr\u00e1rio os artistas reflectem muitas vezes sobre anseios muito conjunturais e seus contempor\u00e2neos que apenas o futuro dir\u00e1 se a tem\u00e1tica permanece referencial. A este prop\u00f3sito falamos de trabalhos datados ou de trabalhos que resistem ao tempo. Mas independentemente das suas qualidades ahist\u00f3ricas as obras de arte contempor\u00e2nea s\u00e3o isso mesmo: contempor\u00e2neas, do seu tempo. E todos n\u00f3s j\u00e1 pens\u00e1mos que h\u00e1 trabalhos que muito embora estejam actualmente datados, esse facto n\u00e3o lhes retira a import\u00e2ncia hist\u00f3rica que possam ter tido na altura. Para arriscar um exemplo falaria de <i>On the<\/i> <i>road<\/i> de Jack Kerouac, cuja leitura na actualidade exige a postura da leitura de um cl\u00e1ssico (com as suas dificuldades), um livro que j\u00e1 n\u00e3o se l\u00ea \u201ccomo um romance\u201d.<br \/>\n\u00c0 ideia de patrim\u00f3nio de um grupo (patrim\u00f3nio vimaranense, minhoto, portugu\u00eas, europeu e por a\u00ed fora) tamb\u00e9m se junta a ideia de patrim\u00f3nio individual ou familiar (num sentido mais jur\u00eddico, de propriedade) mas que do ponto de vista da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica do artista pl\u00e1stico poderia ser o conjunto da obra numa perspectiva diacr\u00f3nica. O patrim\u00f3nio individual do artista comp\u00f5e-se ent\u00e3o do que este j\u00e1 fez no passado, isto \u00e9, as suas tem\u00e1ticas e as diferentes formas de as abordar (\u00e2ngulos, materiais, estrat\u00e9gias&#8230;), e influencia definitivamente a sua cria\u00e7\u00e3o presente e futura.<br \/>\nPartindo ent\u00e3o do conceito de historiografia enquanto processo de escrita da hist\u00f3ria vamos debru\u00e7armo-nos sobre obras de arte contempor\u00e2neas que reflectem sobre os efeitos da hist\u00f3ria e sua influ\u00eancia na actualidade. Mais do que um interesse <i>hist\u00f3rico<\/i> sobre uma tem\u00e1tica o que nos interessa \u00e9 ent\u00e3o um interesse contempor\u00e2neo sobre algo que tem origem no passado.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia destas reflex\u00f5es analisaremos tr\u00eas casos pr\u00e1ticos de obras e conjuntos de obras de tr\u00eas artistas contempor\u00e2neos portugueses que t\u00eam escolhido uma reflex\u00e3o tamb\u00e9m pol\u00edtica sobre acontecimentos hist\u00f3ricos.<br \/>\nOs trabalhos escolhidos para aqui s\u00e3o <i>S de Saudade<\/i> de Paulo Mendes, <i>alheava<\/i> de Manuel Santos Maia e <i>N\u00e3o Ponham Mais Palavras na Minha Boca<\/i> da minha autoria<i>.<br \/>\n<\/i>S\u00e3o trabalhos que abordam &#8211; de forma diferente &#8211; o regime ditatorial de Oliveira Salazar, a guerra colonial e a sua influ\u00eancia na actualidade.<br \/>\nSobre esta quest\u00e3o n\u00e3o se quer deixar de referir a obra de Jos\u00e9 Gil\u00a0 <i>Portugal, Hoje: o Medo de Existir<\/i>. Embora algumas das pe\u00e7as em an\u00e1lise sejam anteriores a esta obra filos\u00f3fica elas reflectem uma converg\u00eancia de pensamento sobre a quest\u00e3o da <i>n\u00e3o-inscri\u00e7\u00e3o<\/i> e a explica\u00e7\u00e3o nos longos anos de ditadura de um certo ser portugu\u00eas medroso, tristonho e passe\u00edsta. O eco de padr\u00f5es comportamentais e v\u00edcios societ\u00e1rios continua a ouvir-se agora, no que Jos\u00e9 Gil resumiu como o <i>medo de existir<\/i>.<br \/>\n\u201c(&#8230;) [O] Portugal de hoje prolonga o antigo regime. A n\u00e3o-inscri\u00e7\u00e3o n\u00e3o data de agora, \u00e9 um velho h\u00e1bito que vem sobretudo da recusa imposta ao indiv\u00edduo de se inscrever. Porque inscrever implica ac\u00e7\u00e3o, afirma\u00e7\u00e3o, decis\u00e3o com as quais o indiv\u00edduo conquista autonomia e sentido para a sua exist\u00eancia. Foi o salazarismo que nos ensinou a irresponsabilidade \u2013 reduzindo-nos a crian\u00e7as, crian\u00e7as grandes, adultos infantilizados.\u201d<br \/>\n\u201cO medo \u00e9 o medo do poder, mas tamb\u00e9m da impot\u00eancia pr\u00f3pria diante do poder. Medo de n\u00e3o saber e de ser desmascarado. Medo de ter medo. Medo de parecer ter medo, de parecer fraco, incapaz, ignorante, med\u00edocre. (&#8230;) em Portugal (com uma popula\u00e7\u00e3o e aglomerados populacionais reduzidos ou compostos por pequenos grupos) [o medo] refor\u00e7a-se e agudiza-se (&#8230;) sob o poder extraordin\u00e1rio que entre n\u00f3s possui a <i>imagem de si.<\/i> A imagem de si (ideal, imagin\u00e1ria, ditada pela norma n\u00e3o menos imagin\u00e1ria do pol\u00edtico-social-moral-psicologicamente correcto) imp\u00f5e regras de comportamento, interioriza interditos, autocensura o indiv\u00edduo. Constitui um limite severo \u00e0 livre express\u00e3o, ao pensamento e \u00e0 ac\u00e7\u00e3o livres.\u201d<br \/>\nJos\u00e9 Gil vai mais longe afirmando que o medo deve ser considerado \u201ccomo um <i>sistema<\/i> que condiciona directa e decisivamente mecanismos macrossociais.\u201d<br \/>\nO pa\u00eds n\u00e3o fala, n\u00e3o mexe, n\u00e3o pensa, n\u00e3o se v\u00ea logo n\u00e3o existe.<br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 da ordem do vis\u00edvel, e assim est\u00e1 mais pr\u00f3xima da inscri\u00e7\u00e3o. Os temas por ela tratados tornam-se mais aud\u00edveis.<br \/>\n\u00c0 partida ningu\u00e9m se exprime artisticamente para n\u00e3o ser ouvido (embora haja quem exprimindo-se sem conte\u00fados apenas se queira ouvir).<br \/>\nPor seu lado a cria\u00e7\u00e3o que reflecte sobre a hist\u00f3ria ou o patrim\u00f3nio, mais se inscreve. A que fala sobre a <i>longa noite salazarista<\/i>, acende as luzes e mostra os monstros que se escondem debaixo da cama. Ela reescreve a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Paulo Mendes, <i>S de Saudade<\/i> (2007-&#8230;)<\/p>\n<p><i>S de Saudade<\/i> \u00e9 um projecto em curso que Paulo Mendes tem vindo a mostrar em espa\u00e7os diferentes e com formas diferentes desde 2007. As pe\u00e7as que v\u00e3o constituindo este projecto v\u00e3o construindo-o tamb\u00e9m. \u00c0 medida que vai mostrando o ditador Salazar, torna-o vis\u00edvel.<br \/>\nConcentremo-nos em duas destas pe\u00e7as: as telas e as fotografias performativas.<br \/>\nNa primeira exposi\u00e7\u00e3o de <i>S de Saudade &#8211; Retratos da Vida Portuguesa<\/i>, Paulo Mendes apresenta um conjunto de fotografias impressas em telas e engradadas como se de uma pintura tradicional se tratasse. As fotografias s\u00e3o de locais onde est\u00e3o pinturas (corredores de museus, acervos de institui\u00e7\u00f5es, arquivos) e sobre ela foram atirados um ou outro borr\u00e3o de tinta. Como o pr\u00f3prio artista afirma, nestes trabalhos \u201ca fotografia e a pintura se complementam em imagens que questionam o papel das artes pl\u00e1sticas na representa\u00e7\u00e3o e ao servi\u00e7o do poder pol\u00edtico.<br \/>\nO retrato foi sempre um tema recorrente na pintura. Que valor iconogr\u00e1fico e de relev\u00e2ncia politica podemos hoje retirar ao olhar para retratos de Salazar e de outras figuras da sociedade portuguesa de diferentes \u00e9pocas? Ultrapassadas pelo avan\u00e7o da hist\u00f3ria essas representa\u00e7\u00f5es est\u00e3o agora armazenadas em esquecidos acervos de museu, como adere\u00e7os de uma pe\u00e7a fora de cena. Abandonados os lugares da sua exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, arrastados pela perda da import\u00e2ncia pol\u00edtica dos representados ficam agora depositados entre outros retratados actualmente an\u00f3nimos, entre cart\u00f5es e m\u00e1quinas de climatiza\u00e7\u00e3o na tentativa de preservar a representa\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria p\u00fablica. Numa sociedade de brandos costumes, este lento apagar da mem\u00f3ria corresponde a uma amn\u00e9sia colectiva.\u201d<br \/>\nAs telas de grandes dimens\u00f5es (de 2mx3m, 2.66mx4m&#8230;) ocupam o espa\u00e7o galer\u00edstico como um cen\u00e1rio. Tamb\u00e9m n\u00f3s estamos nesse corredor, obrigados a presenciar o que se guarda longe da vista, armaz\u00e9m de ventoinhas e de retratos-homenagem, entre eles o do ditador.<br \/>\nNas fotografias apresentadas no Museu Nogueira da Silva (<i>S de Saudade &#8211; Au Hazard Salazar, <\/i>2009) Paulo Mendes d\u00e1 corpo a Salazar, o Homem Invis\u00edvel. A s\u00e9rie de fotografias chama-se <i>O Senhor S<\/i>.<br \/>\nQuando olhamos para a personagem na s\u00e9rie de fotografias imediatamente nos lembramos da figura de Salazar: da sua roupa, do fato e chap\u00e9u pretos, da sua pose, do seu peso, da conten\u00e7\u00e3o em geral, do corpo-fachada.<br \/>\nMas \u00e0 medida que as fotos se sucedem vemos esse mesmo homem a ler o n\u00famero da Revista Flama que anuncia sua morte: <i>Salazar Morreu<\/i>. A identidade da personagem que Paulo Mendes encarna nestas fotografias performativas \u00e9 amb\u00edgua. O Senhor S \u00e9 Salazar mas \u00e9 tamb\u00e9m uma imagem de um homem qualquer do Portugal de ent\u00e3o. O corpo-fachada \u00e9 um corpo-norma: exemplo a seguir, manual de instru\u00e7\u00f5es para um modelo \u00fanico. Imp\u00e1vido e sereno o Senhor S n\u00e3o reage \u00e0 not\u00edcia da sua morte. Porque sabe que o ditadura continua depois dele (historicamente em Marcello Caetano, psico-socialmente no portugu\u00eas de hoje&#8230;)?<br \/>\nNo que respeita as fotografias p\u00fablicas de Salazar, mesmo se este usou e abusou da fotografia e do cinema durante a sua ditadura, no que respeita a sua pr\u00f3pria imagem a estrat\u00e9gia foi a da conten\u00e7\u00e3o. Pouqu\u00edssimas fotografias de Salazar foram tornadas p\u00fablicas, sobretudo se tivermos em conta a longevidade da sua vida pol\u00edtica, ao contr\u00e1rio dos retratos pintados que proliferavam. Atentemos num conjunto de imagens realizado por Rosa Casaco publicadas no livro <i>Salazar na Intimidade<\/i> (1954)<i>. <\/i>Estas fotografias s\u00e3o fotografias oficiais cujo nome aparentemente paradoxal (estatuto oficial \u2013 estatuto \u00edntimo) \u00e9 amplamente justificado pelo que chamar\u00edamos agora de <i>marketing <\/i>pol\u00edtico. Muito mais ineficaz fot\u00f3grafo que inspector da pol\u00edcia pol\u00edtica Pide\/DGS, Ant\u00f3nio Rosa Casaco realiza imagens desprovidas de qualquer conte\u00fado fotogr\u00e1fico usando as mais b\u00e1sicas, e logo pouco memor\u00e1veis, regras da composi\u00e7\u00e3o e do enquadramento. A fotografia de Salazar no Forte de S\u00e3o Jo\u00e3o do Estoril de costas com as pernas afastadas, m\u00e3os atr\u00e1s das costas e porte pesado \u00e9 a de um homem que olha o horizonte num dia de mar calmo e seguro. Posicionado \u00e0 direita da fotografia o ditador olha para a esquerda, isto \u00e9, para o passado. Construindo o presente sobre o passado (glorioso entenda-se) nada h\u00e1 a temer, porque este homem tem os p\u00e9s bem assentes e nada o abala.<br \/>\nA imagem do ditador \u2013 de costas \u2013 \u00e9 isso mesmo, uma imagem.<br \/>\nOra, como bem nos explica Jos\u00e9 Gil se n\u00e3o falarmos sobre ele cada vez ser\u00e1 mais da ordem do fant\u00e1stico, do inexplic\u00e1vel e aceit\u00e1vel porque incompreens\u00edvel, inating\u00edvel, deificado. Destino inexor\u00e1vel.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio, com as fei\u00e7\u00f5es de Paulo Mendes o ditador torna-se actual e bem vivo. Presentifica-se o ditador.<\/p>\n<p>Manuel Santos Maia, a<i>lheava <\/i>(1999-&#8230;)<\/p>\n<p><i>Alheava<\/i> \u00e9 tamb\u00e9m um trabalho de v\u00e1rios anos que questiona as imagens das col\u00f3nias numa perspectiva pessoal.<br \/>\nComo o pr\u00f3prio Manuel Santos Maia afirma \u201co projecto pretende abordar o alheamento de Portugal relativamente ao passado\u00a0 colonial e p\u00f3s-colonial\u201d num \u201cprocesso de rememora\u00e7\u00e3o\u201d que \u201creivindica e contraria a simplifica\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o oficial da hist\u00f3ria\u201d.<br \/>\nConfundindo de forma sistem\u00e1tica informa\u00e7\u00e3o familiar produzida \u00e0 \u00e9poca da guerra colonial e \u00e0 \u00e9poca do retorno, informa\u00e7\u00e3o familiar produzida actualmente, informa\u00e7\u00e3o oficial da \u00e9poca e informa\u00e7\u00e3o actual, Manuel Santos Maia tem vindo a dar visibilidade a uma ferida nacional recente (e pessoal).<br \/>\nTendo por base materiais como livros, fotografias, objectos, m\u00f3veis, rel\u00edquias, filmes, vozes, discursos, manuais escolares, desenhos, o artista vai abordando a tem\u00e1tica usando suportes diferentes (desenho, fotografia, projec\u00e7\u00e3o, som, teatro, escultura, instala\u00e7\u00e3o de objectos, vitrinas, leituras, performances&#8230;).<br \/>\nPara l\u00e1 da dispers\u00e3o dos suportes assistimos tamb\u00e9m \u00e0 dispers\u00e3o das mostras. Com efeito <i>alheava<\/i> \u00e9 um projecto que j\u00e1 participou em mais de 43 exposi\u00e7\u00f5es (entre colectivas e individuais), em pa\u00edses como Noruega, Espanha, B\u00e9lgica e Estados Unidos da Am\u00e9rica e em cidades nacionais como o Porto, Lisboa, Coimbra, Lagos, Oeiras, Guimar\u00e3es, Braga, Santo Tirso, Cascais, entre outras. A dispers\u00e3o geogr\u00e1fica de <i>alheava<\/i> como que exige as suas sinaliza\u00e7\u00f5es num mapa, para n\u00e3o nos perdermos.<br \/>\n\u201cA segunda fase do projecto realizar-se-\u00e1 ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o da totalidade das mostras da primeira fase e compreende uma viagem a Mo\u00e7ambique, ao pa\u00eds representado no projecto \u201calheava\u201d\u201d.<br \/>\nMais do que uma viagem (geogr\u00e1fica, temporal, art\u00edstica, pessoal) <i>alheava<\/i> \u00e9 um vaguear. As dispers\u00f5es e alheamentos acumulam sentidos na confus\u00e3o t\u00edpica do estado de esp\u00edrito de quem est\u00e1 em conflito.<br \/>\nCategorias s\u00e3o criadas, tipos estabelecidos, objectos dispostos e museuficados. S\u00e3o estatutos novos para objectos e imagens antigos que se tentam desta forma rever e interpretar. Lan\u00e7ando m\u00e3o de uma estrat\u00e9gia arquiv\u00edstica e cumulativa, o artista faz e refaz a hist\u00f3ria, como quem faz e desfaz as malas.<br \/>\nA mais invis\u00edvel das \u00e9pocas da hist\u00f3ria portuguesa \u00e9 aqui constantemente mostrada e revista, contra a <i>amn\u00e9sia colectiva<\/i> e familiar. Reencena-se a partir de documentos hist\u00f3ricos pr\u00e9-existentes, nitidamente porque a primeira fotografia saiu mal.<\/p>\n<p><i>Rita Castro Neves, N\u00e3o Ponham Mais Palavras na Minha Boca<\/i>, Escola Prim\u00e1ria do Bom Sucesso, Porto (1997)<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma obra <i>site-specific<\/i> para uma escola p\u00fablica com a arquitectura t\u00edpica da ditadura portuguesa \u2013 a mesma arquitectura do norte ao sul do pa\u00eds. Na entrada vazia do edif\u00edcio ecoam vozes de crian\u00e7as a brincar no recreio. Este \u00e9 o per\u00edodo de f\u00e9rias e as vozes v\u00eam de colunas de som escondidas no mobili\u00e1rio. \u00c0 confus\u00e3o das vozes junta-se a limpidez da campainha e o ladrar de um c\u00e3o.<br \/>\nNo primeiro andar apenas uma das salas de aula n\u00e3o est\u00e1 fechada \u00e0 chave. No interior dela: sil\u00eancio, e logo a porta que se fecha atr\u00e1s de n\u00f3s estrondosamente gra\u00e7as a um mecanismo nela colocado. Agora s\u00f3s e sem barulho a sala de aula apresenta-se-nos com as suas janelas e mobili\u00e1rio perfeitamente embrulhadas em tecido branco, cosido \u00e0 m\u00e3o com linha branca no local. A disposi\u00e7\u00e3o das carteiras e cadeiras imp\u00f5em-se pela rectitude das suas tr\u00eas filas \u2013 mem\u00f3ria da fila dos maus, dos m\u00e9dios e dos bons. Em cima do quadro negro \u2013 agora branco \u2013 o crucifixo da escola supostamente laica lembra-nos que afinal a iconografia do Estado Novo ainda est\u00e1 presente.<br \/>\nA obra parte do questionamento da iconografia do Estado Novo na educa\u00e7\u00e3o e a sua perseveran\u00e7a na contemporaneidade. A educa\u00e7\u00e3o nacional foi como sabemos uma das prioridades no investimento propagand\u00edstico e controlador do estado de esp\u00edrito no Estado Novo. Mas mais do que isso o crucifixo ainda hoje em 2009 est\u00e1 presente nos locais p\u00fablicos e oficiais portugueses, em total desrespeito do estado laico que somos e sobretudo dos seus cidad\u00e3os. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nas salas de aula das escolas p\u00fablicas que o crucifixo permanece em 2009, \u00e9 nos hospitais p\u00fablicos, nos centros de sa\u00fade p\u00fablicos, nas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas&#8230; A laiciza\u00e7\u00e3o est\u00e1 por fazer, \u00e9 o lastro do Estado Novo e da Doutrina Social da Igreja Cat\u00f3lica.<br \/>\nNingu\u00e9m retira os \u00edcones, porque ningu\u00e9m o quer fazer, ningu\u00e9m sabe se o pode fazer. O medo tolhe.<br \/>\nA rigidez que a obra aborda e o mal estar que criam n\u00e3o s\u00e3o apenas os da ditadura mas tamb\u00e9m do sistema educativo.<br \/>\nComo educamos quem? O espa\u00e7o da sala de aula costurada \u00e9 o espa\u00e7o de abandono tamb\u00e9m, pela refer\u00eancia \u00f3bvia \u00e0 pr\u00e1tica antiga de, em momentos de aus\u00eancia prolongada, cobrir os m\u00f3veis da casa com len\u00e7\u00f3is velhos preservando-os do p\u00f3. Numa tentativa de controlar a passagem do tempo no espa\u00e7o.<br \/>\nUma m\u00e1 mem\u00f3ria fechada num quarto vazio exp\u00f5em-se aqui ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Para l\u00e1 das claras proximidades e preocupa\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas dos tr\u00eas projectos s\u00e3o tamb\u00e9m de real\u00e7ar outras partilhas.<br \/>\nEm primeiro lugar estes artistas s\u00e3o os tr\u00eas artistas multim\u00e9dia, que lan\u00e7am m\u00e3o dos diferentes m\u00e9dia em fun\u00e7\u00e3o dos diferentes espa\u00e7os e\/ou temas. Esta perten\u00e7a leva-os muitas vezes a mostrar o seu trabalho em espa\u00e7os n\u00e3o-convencionais no que se revela sempre uma produ\u00e7\u00e3o mais trabalhosa do que no espa\u00e7o convencional.<br \/>\nMas sobretudo parece-me que \u00e9 de sublinhar que estes tr\u00eas artistas t\u00eam desenvolvido regularmente, para l\u00e1 da sua actividade estritamente art\u00edstica, actividade curatorial. Intitulando-se de <i>artistas-comiss\u00e1rios<\/i> pretendem contribuir para o panorama expositivo portugu\u00eas em geral e para o portuense em particular, organizando, produzindo, publicando e comissariando exposi\u00e7\u00f5es, festivais, eventos e debates envolvendo v\u00e1rios artistas e incluindo eles pr\u00f3prios.<br \/>\nEsta actividade n\u00e3o \u00e9 em conjunto, tendo cada um deles os seus pr\u00f3prios projectos. Fazem-no de uma forma n\u00e3o exclusiva, acumulando este tipo de actividade com outras formas de expor.<br \/>\nNesta forma de se envolver os <i>artistas-comiss\u00e1rios<\/i> apropriam-se das meandros da arte e dos seus sistemas, reformulando crit\u00e9rios de selec\u00e7\u00e3o, tem\u00e1ticas, espa\u00e7os e formas de montagem. A quest\u00e3o das cumplicidades tem\u00e1ticas e geracionais \u00e9 tamb\u00e9m exposta nestes projectos, sublinhando-se igualmente a import\u00e2ncia das redes afectivas n\u00e3o corporativistas.<br \/>\nEsta atitude \u00e9 tanto mais importante quanto o pa\u00eds \u00e9 pequeno. Aqui o meio art\u00edstico \u00e9 muito reduzido e especialmente vulner\u00e1vel a decis\u00f5es que lhe s\u00e3o externas. Por outro lado a pequena dimens\u00e3o do meio da arte cria em Portugal um problema de falta de independ\u00eancia, sendo que muitas decis\u00f5es e escolhas s\u00e3o tomadas n\u00e3o por um reconhecimento genu\u00edno da qualidade da obra de arte ou do pensamento do artista mas sim por outros interesses que comprometem um julgamento cr\u00edtico independente. Infelizmente a prolifera\u00e7\u00e3o de agentes interm\u00e9dios n\u00e3o veio ajudar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo deste texto abord\u00e1mos tr\u00eas projectos de arte contempor\u00e2nea para reflectirmos sobre a ideia de patrim\u00f3nio hist\u00f3rico constru\u00eddo. Vimos aqui como a arte contempor\u00e2nea pode ser um processo de interven\u00e7\u00e3o, de <i>inscri\u00e7\u00e3o<\/i>, de lutar contra a <i>amn\u00e9sia colectiva<\/i> e uma escrita da hist\u00f3ria em directo. O exemplo dos <i>artistas-comiss\u00e1rios<\/i> \u00e9 mais uma forma de apropria\u00e7\u00e3o dos contextos e das escritas. Tal como este texto tamb\u00e9m fala da minha obra.<\/p>\n<p>Rita Castro Neves, Agosto 2009<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>GIL Jos\u00e9, <i>Portugal, Hoje: o Medo de Existir<\/i>, Lisboa, Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua Editores, Col. Argumentos, 6\u00aa Reimpress\u00e3o Mar\u00e7o 2005 (1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o Novembro 2004), 150 pp..<br \/>\nMEDEIROS Margarida, <i>Fotografia e narcisismo. O auto-retrato contempor\u00e2neo<\/i>, Lisboa, n\u00ba 20, Ass\u00edrio &amp; Alvim, col. Arte e Produ\u00e7\u00e3o, 2000, 177 pp..<br \/>\nMENDES Paulo, <i>The best of&#8230; Vogue,<\/i> Porto, Mimesis-Multim\u00e9dia Lda., Col. Arte Contempor\u00e2nea Portuguesa, 2002, 48 pp..<br \/>\nP\u00c9REZ Miguel von Hafe (ed.), <i>Propostas da Arte Contempor\u00e2nea Posi\u00e7\u00e3o:2007<\/i>, Porto, Funda\u00e7\u00e3o de Serralves\/P\u00fablico, Colec\u00e7\u00e3o de Arte Contempor\u00e2nea P\u00fablico Serralves, 2007 p. 86-87, 158 pp..<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Netgrafia<\/p>\n<p>HYPERLINK &#8220;http:\/\/manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com&#8221; www.manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com<br \/>\nwww.manuelsantosmaia.blogspot.com<br \/>\nHYPERLINK &#8220;http:\/\/www.paulomendes.org&#8221; www.paulomendes.org<br \/>\nHYPERLINK &#8220;http:\/\/www.ritacastroneves.com&#8221; www.ritacastroneves.com<\/p>\n<p>GIL Jos\u00e9, <i>Portugal, Hoje: o Medo de Existir<\/i>, Lisboa, Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua Editores, Col. Argumentos, 6\u00aa Reimpress\u00e3o Mar\u00e7o 2005 (1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o Novembro 2004), 150 pp..<\/p>\n<p><i>Idem<\/i>, p. 17.<\/p>\n<p><i>Idem<\/i>, p. 80.<\/p>\n<p><i>Idem<\/i>, p. 83.<\/p>\n<p>Curiosa e antiquada express\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de mencionar aqui um certo <i>retorno \u00e0s imagens <\/i>de Salazar de tom leve a que temos assistido ultimamente, bem como um aproveitamento tonto pela parte dos m\u00e9dia de um interesse dos portugueses pela figura do ditador. O exemplo franc\u00eas no que respeita Le Pen, os m\u00e9dia e o Partido Socialista Franc\u00eas de Fran\u00e7ois Mitterand deveria ali\u00e1s inspirar um pouco mais de reflex\u00e3o pela parte destes actores sociais. Este <i>retorno \u00e0s imagens<\/i> todavia \u00e9 quase um salto hist\u00f3rico sobre a inscri\u00e7\u00e3o que falta fazer, repetindo outras t\u00edpicas pr\u00e1ticas s\u00f3cio-intelectuais portugueses, como quando alegremente pass\u00e1mos da ditadura para um per\u00edodo de p\u00f3s-feminismo, sem passar pelo feminismo &#8211; justamente uma palavra impronunci\u00e1vel em Portugal.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta altura <i>S de Saudade<\/i> teve quatro exposi\u00e7\u00f5es individuais na Galeria Reflexus Arte Contempor\u00e2nea <i>Retratos da Vida Portuguesa <\/i>(Porto, Setembro 2007), no In.Transit <i>O passado e o presente <\/i>(Porto, Mar\u00e7o 2008), no Museu do Neo-Realismo <i>Diorama da Nossa Hist\u00f3ria Natural<\/i> (Vila Franca de Xira, Abril 2008) e no Museu Nogueira da Silva <i>Au hazard Salazar<\/i> (Braga, Maio 2009).<\/p>\n<p>Texto publicado na folha de sala da exposi\u00e7\u00e3o e publicado no <i>site<\/i> do artista em\u00a0 HYPERLINK &#8220;http:\/\/paulomendes.org\/?pagina=exposicoes\/colectivas&amp;accao=ver_exposicao&amp;id_exposicao=5#conteudo&#8221; http:\/\/paulomendes.org\/?pagina=exposicoes\/colectivas&amp;accao=ver_exposicao&amp;id_exposicao=5#conteudo (consultado a 28 Julho 2009)<\/p>\n<p>&#8220;A invisibilidade constitui o pr\u00f3prio estado de Salazar. Ele \u00e9 invis\u00edvel e quer-se como tal. S\u00f3 raramente se mostra em p\u00fablico e ainda menos em manifesta\u00e7\u00f5es de massas. A sua pessoa f\u00edsica, a sua presen\u00e7a corporal n\u00e3o se exp\u00f5em aos olhares (\u2026). Jos\u00e9 Gil <i>in<\/i> <i>Salazar: A Ret\u00f3rica da Invisibilidade<\/i> (1995), citado por Paulo Mendes no seu <i>site<\/i>. http:\/\/paulomendes.org\/?pagina=noticias\/noticias&amp;accao=ver_noticia&amp;id_noticia=76#conteudo.<\/p>\n<p>Sobre esta quest\u00e3o poderiam aplicar-se aqui os ensinamentos de Margarida Medeiros no cap\u00edtulo \u201cO retrato pintado e o retrato fotogr\u00e1fico\u201d do seu livro, sobre o car\u00e1cter sublimat\u00f3rio e iconogr\u00e1fico do retrato pintado por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dessacraliza\u00e7\u00e3o operada pelo retrato fotogr\u00e1fico que por sua vez \u00e9 um \u00edndice. <i>Fotografia e narcisismo O auto-retrato contempor\u00e2neo<\/i>, Lisboa, n\u00ba 20, Ass\u00edrio &amp; Alvim, col. Arte e Produ\u00e7\u00e3o, 2000, p. 45-55, 177 pp..<\/p>\n<p>B\u00e1sicas mesmo para a \u00e9poca.<\/p>\n<p><i>Alheava<\/i> iniciou-se em 1999 quando Manuel Santos Maia ainda era estudante da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.<\/p>\n<p>Retirado do texto do artista publicado no seu <i>site<\/i> e em <i>Propostas da Arte Contempor\u00e2nea Posi\u00e7\u00e3o:2007<\/i>, Miguel von Hafe P\u00e9rez (ed.), 2007, Porto, Funda\u00e7\u00e3o de Serralves\/P\u00fablico, Colec\u00e7\u00e3o de Arte Contempor\u00e2nea P\u00fablico Serralves, p.86, 158 pp..<\/p>\n<p><i>Idem<\/i>.<\/p>\n<p><i>Site-specific<\/i> \u00e9 um termo anglo-sax\u00f3nico comummente utilizado a partir dos anos 70 do s\u00e9c. XX para designar obras de arte que s\u00e3o feitas para a especificidade geogr\u00e1fica, tem\u00e1tica, hist\u00f3rica, pol\u00edtica, est\u00e9tica de um local.<\/p>\n<p>Durante o Estado Novo as salas de aula das escolas prim\u00e1rias tinham todas, em cima do quadro negro, o crucifixo ladeado por uma fotografia do Presidente da Rep\u00fablica e do Presidente do Conselho de Ministros Oliveira Salazar. Com o 25 de Abril de 1974 as fotografias partiram mas em muitas escolas p\u00fablicas os crucifixos ficaram no mesmo s\u00edtio.<\/p>\n<p>Artista multim\u00e9dia \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o literal do termo americano <i>multimedia artist<\/i>. No Reino Unido \u00e9 mais comum o termo <i>media artist<\/i>, que em portugu\u00eas n\u00e3o traduz t\u00e3o bem&#8230; Os m\u00e9dia podem ser t\u00e3o diversos quanto a pintura, o desenho, a fotografia, o v\u00eddeo, o som, a performance, material de arquivo e objectos pr\u00e9-existentes. \u00c9 comum haver uma preocupa\u00e7\u00e3o &#8211; ou pelo menos um <i>enforma\u00e7\u00e3o<\/i> \u2013 <i>site-specific<\/i> ou de instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para dar um exemplo pense-se na dificuldade em realizar a pe\u00e7a <i>N\u00e3o Ponham Mais Palavras na Minha Boca<\/i>, que tinha que ser feita na escola prim\u00e1ria da artista. Pense-se na quantidade de autoriza\u00e7\u00f5es e convencimentos que foram necess\u00e1rios: da direc\u00e7\u00e3o da escola \u00e0 DREN, passando pela Junta de Freguesia, os calend\u00e1rios a estabelecer uma vez que \u00e9 um espa\u00e7o ocupado diariamente, a divulga\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o dos materiais impressos, a perman\u00eancia no espa\u00e7o que teve que ser assegurada durante 15 dias, o acesso \u00e0 escola para a realiza\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a que s\u00f3 a costura demorou 3 dias, etc, etc&#8230;<\/p>\n<p>Estes projectos incluem tamb\u00e9m a actividade da Associa\u00e7\u00e3o Plano XXI (Paulo Mendes, In\u00eas Moreira e Sandra Vieira J\u00fcrgens), do brrr &#8211; Live Art (eu) e de Jos\u00e9 Maia (nome que Manuel Santos Maia utiliza enquanto professor, formador, investigador e curador). E isto em espa\u00e7os como o W.C. Container, In.Transit, Espa\u00e7o Campanh\u00e3, eventos como a Plano XXI Portuguese Contemporary Art, Cinema &amp; Music , UrbanLab &#8211; Bienal da Maia 2001, Amorph!99 Performance Art Festival, Brrr _ Festival de Live Art, Dia e Vento, Trama Festival de Artes Performativas e ciclos de confer\u00eancias como Artistas-Comiss\u00e1rios para a Escola Superior Art\u00edstica do Porto, Encontros do Olhar &#8211; A Fotografia e a Arte para o IPF, etc, etc. Para conhecer estes projectos com maior profundidade ver os <i>sites<\/i> e <i>blogs<\/i> destes artistas.<\/p>\n<p>Esta vulnerabilidade \u00e9 tamb\u00e9m acentuada pelo que Jos\u00e9 Gil diz ser um muito portugu\u00eas \u201ccomplexo, dito de inferioridade\u201d sobre o que se passa \u201cl\u00e1 fora\u201d (<i>idem<\/i>, p. 82). Mas trata-se neste caso tamb\u00e9m de uma vulnerabilidade econ\u00f3mico-financeira (veja-se como as varia\u00e7\u00f5es na bolsa influenciam os programas culturais das nossas importantes funda\u00e7\u00f5es portuguesas), bem como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s modas e tend\u00eancias do mercado art\u00edstico internacional (neste aspecto a observa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno relativamente recente dos leil\u00f5es de arte contempor\u00e2nea \u00e9 um exerc\u00edcio muito curioso sobretudo pela sua volatilidade e tradicionalismo).<\/p>\n<p>O tradicionalismo da maioria dos agentes da arte contempor\u00e2nea portuguesa \u00e9 muito curioso, sobretudo nos mais jovens. As escolhas dos jovens comiss\u00e1rios e cr\u00edticos raramente fogem aos nomes j\u00e1 conhecidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando nos referimos a patrim\u00f3nio referimo-nos a um conjunto de monumentos, documentos, objectos, factos que s\u00e3o aceites por um conjunto de pessoas como fazendo parte da hist\u00f3ria desse mesmo grupo. 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