{"id":191,"date":"2015-12-15T13:55:21","date_gmt":"2015-12-15T13:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ritacastroneves.com\/?p=191"},"modified":"2016-11-15T17:00:06","modified_gmt":"2016-11-15T17:00:06","slug":"ponto-de-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/ponto-de-encontro\/","title":{"rendered":"Ponto de Encontro"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito do campus universit\u00e1rio da Asprela, no Porto, <em>Ponto de Encontro<\/em> reflete o estado de mudan\u00e7a e transitoriedade da zona da Asprela e dos seus habitantes, tirando partido da tens\u00e3o entre as categorias de paisagem e retrato.<\/p>\n<p>As imagens de paisagem s\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de passagem, incoer\u00eancia, detalhe m\u00ednimo e vest\u00edgio, incluindo desta forma indireta a presen\u00e7a das pr\u00f3prias pessoas que por ali passaram, ou para quem as interven\u00e7\u00f5es na paisagem foram pensadas. Desarruma\u00e7\u00e3o, ac\u00famulo e constru\u00e7\u00e3o em processo s\u00e3o marcas recorrentes, numa aten\u00e7\u00e3o especial ao menos evidente ou espetacular: cantos, traseiras, mobili\u00e1rio e lixo.<\/p>\n<p>O estranho destas paisagens tem uma correspond\u00eancia clara num certo desconforto ou aliena\u00e7\u00e3o dos retratados: n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser caloiro na Asprela e ser doutor do \u201csegundo ano\u201d \u00e9 manifestamente um farsa &#8211; aqui como, noutras comunidades, tem que se ir aprendendo o dif\u00edcil jogo da perten\u00e7a.<\/p>\n<p>Nestes retratos surgem sempre duas pessoas, reais mas em situa\u00e7\u00e3o encenada. Os retratados s\u00e3o apresentados como categorias (ainda que os t\u00edtulos os nomeiem: Rita, Ana, M\u00e1rio&#8230;): estudantes de capa e batina, caloiros, t\u00e9cnicos, m\u00e9dicos&#8230; As duas pessoas presentes em cada imagem prometem ao espectador a possibilidade de uma comunidade, promessa todavia espartilhada na <em>guettiza\u00e7\u00e3o<\/em> do tipo retratado. N\u00e3o vemos nestas fotografias estudantes confraternizando com seguran\u00e7as, ou administrativos com jardineiros. Por outro lado, a promessa de socializa\u00e7\u00e3o dentro da mesma categoria, impl\u00edcita na encena\u00e7\u00e3o operada nos corpos, tamb\u00e9m nos desarranja, e coloca quest\u00f5es sobre tens\u00f5es no interior das categorias. A escolha dos locais e dos seus elementos -um vaso contra uma parede, um ramo de pinheiro ca\u00eddo, gravilha a tapar um buraco, duas cadeiras para conversar, duas fotocopiadoras &#8211; assumem um olhar<\/p>\n<p>estrat\u00e9gico sobre as incongru\u00eancias do\/no espa\u00e7o e sobre as possibilidades do real enquanto met\u00e1fora do surreal. Susan Sontag estava certa quando famosamente dizia que \u00e9 na fotografia que o surrealismo triunfa.<\/p>\n<p>Os d\u00edpticos paisagem-retratos s\u00e3o duplamente d\u00edpticos, a duplica\u00e7\u00e3o de pessoas na imagem de retrato, operam como que uma <em>mise en ab\u00eeme<\/em>.<\/p>\n<p>As duas formas de representar a Asprela &#8211; paisagem e retrato &#8211; que o projeto prop\u00f5e como metodologia de aproxima\u00e7\u00e3o ao tema, cria rela\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o e abertura entre si, num questionamento deste recente Campus, como local de passagem, tens\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o simultaneamente arquitect\u00f3nica e psico-social.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><b>Ponto de Encontro<\/b> \u00e9 um projeto de 14 fotografias do campus universit\u00e1rio das Asprela, no Porto, parcialmente publicado no livro Asprela da Scopio Editions<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":236,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fotografia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":207,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191\/revisions\/207"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/236"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}