{"id":208,"date":"2016-11-15T16:27:01","date_gmt":"2016-11-15T16:27:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ritacastroneves.com\/?p=208"},"modified":"2017-02-01T22:26:24","modified_gmt":"2017-02-01T22:26:24","slug":"portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/portugal\/","title":{"rendered":"Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Digamos que o trabalho da fotografia tem caminhos misteriosos. O tema da recolha de imagens de Portugal levou-me a pensar nessa imagem como uma diversidade e como um percurso que inclui o interior do pa\u00eds rural e o litoral do pa\u00eds atl\u00e2ntico, associando a esse interior e contorno fronteiri\u00e7o, outros interiores, de extremo potencial significante.<\/p>\n<p>Percorrendo o meu pr\u00f3prio arquivo \u2013 mem\u00f3ria da mem\u00f3ria \u2013 procurei ent\u00e3o esse percurso, encontrando-o o em situa\u00e7\u00f5es de f\u00e9rias em que, apercebo-me agora (e o percurso do nosso pr\u00f3prio arquivo revelou-se sim como um percurso de (re-)descoberta, mas sobretudo de auto-consciencializa\u00e7\u00e3o), quase sempre uso filme e apenas a objetiva de 50mm.<\/p>\n<p>O estado de esp\u00edrito da desloca\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, pelo pa\u00eds, pareceu materializar-se na cor e na densidade dos filmes de 35mm. Como se a <em>fl\u00e2nerie<\/em>, ou melhor, como se a perce\u00e7\u00e3o emotiva do que \u00e9 <em>fl\u00e2ner<\/em>, atravessando a mat\u00e9ria do filme, deixasse a\u00ed a sua marca. Ficamos na d\u00favida se o inconsciente \u00e9 \u00f3tico (no sentido Benjaminiano) ou se a inconsci\u00eancia do <em>fl\u00e2neur<\/em> se vai consciencializando. Se Benjamin falava, a prop\u00f3sito de Paris e de Baudelaire, da cidade, para o <em>fl\u00e2neur<\/em>, como uma fantasmagoria, n\u00e3o o poder\u00e1 ser tamb\u00e9m um pa\u00eds para o seu habitante-viajante?<\/p>\n<p>Nas imagens, os filmes usados, nota-se, por vezes est\u00e3o estragados, ou n\u00e3o t\u00e3o perfeitos, fora de prazo ou deslocados do seu tempo (talvez tamb\u00e9m no sentido em que Agamben fala de contemporaneidade, como implicando uma dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao seu tempo). O tempo usado em cada fotograma e os diferentes tempos em que fiz as imagens, atravessam o projeto de dar uma imagem, a par de outras, de Portugal. Ainda assim \u201cuma imagem\u201d Portugal \u2013 e \u00e9 verdade, a sele\u00e7\u00e3o que opero a partir de arquivo pr\u00e9-existente das minhas imagens, surpreende-me: no encontro com essa imagem de Portugal, identifico-a como real e verdadeira, ou melhor dizendo, como representativa.<\/p>\n<p>De uma casa de campo no Minho litoral, passando pelo dorso de um burro Mirand\u00eas, \u00e0 \u201cpaisagem\u201d que invade uma janela Algarvia, ao gato e golfinhos A\u00e7oreanos, o percurso inicia com a imagem de um barco de brincar ao espelho \u2013 numa reflex\u00e3o sobre esse postal de Portugal, em reminisc\u00eancias de m\u00e1 mem\u00f3ria de utiliza\u00e7\u00f5es ditatoriais de um putativo des\u00edgnio hist\u00f3rico \u2013 para atravessar solheiras paisagens que se esvaem na representa\u00e7\u00e3o do mar num filme a desbotar. O fim da s\u00e9rie revela-se ent\u00e3o como o in\u00edcio da pel\u00edcula de 35 mm, como mais um in\u00edcio, de um filme.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema da recolha de imagens de <b>Portugal<\/b> levou-me a pensar nessa imagem como uma diversidade e como um percurso que inclui o interior do pa\u00eds rural e o litoral do pa\u00eds atl\u00e2ntico, associando a esse interior e contorno fronteiri\u00e7o, outros interiores, de extremo potencial significante.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":229,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,3],"tags":[],"class_list":["post-208","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-fotografia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":421,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions\/421"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritacastroneves.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}